terça-feira, 2 de abril de 2013

um prato, duas colheres

doce delícia marrom escura
soboreie dura, e mole também.
me abraça nos devaneios
com gosto de parquinho e festa
a boca suja e a língua egoísta
a insaciável vontade
que não me deixa cair

me enche de amor (e calorias!)
me mata de alegria
me completa, me ama, me liberta!

ah, minha doçura discreta...
repleta de memórias
que saudade que eu senti!
pegue um prato, senta aí!
volte, sempre! deixe a porta aberta
para nunca esquecer
que seu lugar é aqui.














(publicado em primeira mão no Coletivo Gourmet)

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

uma vida



cada um sabe
onde lhe aperta o calo
o que faz bem
e o que machuca
e assim
veste o sapato que gosta

cada um sabe
o que lhe move os pés
para frente ou para trás
o que lhe desafia
e o que o interrompe
cada um sabe
o tamanho certo do pulo

meus motivos
meus sentidos
despidos de pudor
revelam minha alma
um caminho
um salto
um passo

uma vida

sábado, 15 de outubro de 2011

suavidade

amor calmo
brisa salgada, janela adentro
amor suave
a língua de tesão, toque de tormento
amor pacificado
sem pressa, sem linha de chegada
amor inocente
incessante, incansável, inebriada
amor permitido
de sim e não, aqui e acolá
amor sincero
amor... amor...

seja bemvindo, novo amor.


quarta-feira, 6 de julho de 2011

você me fez

apenas você.

quando eu existi,
apenas você me quis
apenas você me embalou
e você sozinha, me fez.

quando eu caí
você me afagou
e quando eu errei
você me escondeu do mundo
e me protegeu
você chorou minhas lágrimas
e ficou ao meu lado.

quando eu vivi
você me aconselhou,
mesmo quando eu não quis
e você ouviu o meu sussurro
e o meu grito
e quando eu saí...
você sempre esteve.

quando eu cresci
você me deu a mão
me olhou com ternura
e tratou com candura
a pessoa que você criou.

o mundo inteiro
o amor primeiro
o chamego agueiro
e você

me fez... filha.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

voo

















enfim
a magia se desfez
eu te encontrei outra vez
e nada senti

finalmente

percebi que passou
e o que restou
foi o que eu vivi


então voei

quarta-feira, 6 de abril de 2011

(quase)





















mais um ano
(quase) concluído
de vitórias e derrotas
entre pedras, tropeços
lamentações
vivi emoções puras
de todas as cores e sabores
e amei todas

(quase) um ano de crescer
de arrancar, sofrer, chorar
menos um apêndice, menos um pedaço
mais susto
menos bagaço

um ano (quase) completo
de puro afeto
de juras, alegrias e amarguras
de promessa cumprida
de amor surpresa
plena beleza
em Gramado
ou no pátio, na casa da mãe
com saliência, com demência
acima de tudo
com verdade.

um ano, (quase)
sozinha e junto
foi tanta coisa
que até me confundo
independência, estranhos amigos
férias românticas
ou solitárias...
qual a diferença?

em um ano, enfim (quase),
de mim