sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

entre sem bater














favor deixar os sapatos na entrada
as mágoas, tristezas e pré-julgamentos
juntamente com sua maturidade e sua altivez

passe pelo portal com a nuca exposta
como numa reverência à casa-república
aberta ao bem e aos sorrisos fulgazes

demonstre gosto pelas artes, pela música alta
pelas saias curtas e pernas bronzeadas
pelos filmes de madrugada e colchões no chão

evidencie suas verdades e seus olhares
pois quem aqui entra, há de ter caráter
e bastante sandice

daí então, seras bem-vindo, bem quisto
na casa desses apaixonantes meninos
guris irmãos da menina louca.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

primeiros raios


o teu ritmo, me ensina?
minhas rimas são inevitáveis
seus sorrisos, adoráveis
faz de mim mulher-menina

a saudade me alucina
suas costas, apalpáveis
os teus beijos, desejáveis
nos teu braços meu corpo desatina

e num segundo tudo acaba
você pega suas roupas e parte
o meu chão desaba

queria ser mais forte
não ajoelhar e te pedir pra ficar
mas te desejo boa sorte


quarta-feira, 17 de outubro de 2007

algo mais

foi de propósito

o cangote perfumado
o olhar extasiado
o cabelo amarrado
o sorriso pra você


foi inevitável

meu corpo te querer
minha boca te morder
minha cama te manter
deitado ao meu lado

foi sem querer

o espírito arrebatado
o desejo de te ter pra mim
a ambição de te precisar assim
possessivamente dominado



segunda-feira, 15 de outubro de 2007

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

someone else

would you care if i cry?
would you care if i go?
woud you care if i'm low?
would you care if i lie?

would you find me if i crash?
would you catch me if i down?
would you see what i found?
would you turn away from the ash?

would i find someone in me?
would i try to really see?
would i see the real me?

would i ever understand?
shoud i pretend?
will i stand?

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

que merda!

neurose
patética
neurótica
caótica
ridícula
estúpida
insana
pútrida

ignorante, imbecil, idiota

por que toda palavra que rima
parece robótica?
por que toda palavra que eu escolho
parece lúgubre?
por que toda palavra que eu escrevo
parece lógica?
por que toda palavra que eu uso
parece fúnebre?

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Horas

longas noites
faróis desgovernados
vagam sem destino
aleatoriamente
sem direção
língua que rebola
roçando nos dentes
sacana safada
palpebras repelentes
Morfeu me renega

terça-feira, 10 de julho de 2007

infante

seu cabelo vermelho
o meu, loiro cacheado
sua pirraça
seu jeito errado de falar

pequenas mãos
festa junina
olhares trocados
beijos estalados
pequenos sorrisos
iluminando o carrossel
e a noite acima

imagine

saudades do que não vivi
beijos que não beijei
sorrisos que nunca vi

saudades do afeto nunca trocado
confidências intocadas
do perfume musicado

saudades do colo nunca cedido
problemas nunca enfrentados
brigas nunca perdidas

saudade de chorar
saudade de partir
saudade de ficar
saudade de amar

segunda-feira, 25 de junho de 2007

festa

larguei minhas angústias
no orvalho do carro

livre
voei a dez mil pés descalços na grama
desocupadamente dançante, despreocupadamente girante
espontaneamente feliz
orgasmo esgoísta
únicamente meu
sem precisar
nada ao lado
nem atrás

acima
fixamente apaixonada
vi o sol
esquentando meus dentes
e evaporando meus tormentos

segunda-feira, 11 de junho de 2007

ciranda


menina dança
(morena)
rodopia e gira
(acena)
moça criança
(pequena)
ama e suspira
(serena)

invande o peito
lança o lilás no ar
preocupa-se em amar

prognóstico sentimental
afeita
exageradamente passional


gratitude

for the dinners we've had
for driving and complaining
for holding my tears when i was sad
for understanding
for the times we've fought
for smiling at me
for being right... or not
for not letting me sleep
for being my mother
for helping me out
for letting me be your daughter
for being around.
But most of all, for the hug and the kiss
thanks for the love that i always will miss.


saudades de niterói

lembrei
no instante em que te vi
egoísta
te desejei
unicamente meu

optei
mesmo acompanhada
você me ganhou
largaria tudo
serena certeza

agradeci
por brigas pueris
e prazeres terrenos
a barca de madrugada
etilicamente impulsiva

lastimei
minha infantilidade
rompantes quase bipolares
meu ciúme doentio
notável insensatez

pequei
no sorriso sem graça
de canto de boca
no sonho ingênuo
convicção de ser sua

mother

thank you
for cooking me
for cooking for me
for lighting my way
my shooting star
took me to the right place
the way you respected me
showed how perfect
you are
how beatiful you are
you flew with me when i needed
you still flies
inside
your grace fills my existence
and makes me proud
of being your daughter

domingo, 10 de junho de 2007

uma história de suicídio

tempo pausado
em feridas
corações marcados por cicatrizes
nunca serão apaziguadas
suas crianças choraram em agonia
lágrimas que desceram dos olhos
rasgando suas frontes
enquanto você se manteve inerte
com suas mãos laçadas
e seu peito aberto

A suicide story




















time is paused
in bruises
that may never go away

their hearts is full of scars
you left your children bleeding
in agony
the tears that fell from theis eyes
torn their faces
as you kept theis hands closed
with your chest open

Elegy for Paul Seidl

a broken glass
tells me what happened
your eyes closed
an angel asleep on the asphalt
my heart bleeds
as i remember the two of us

dancing
laughing
kissing

your blue flashlights beam
from the infinity
into my way
though i cannot feel your hands
through my hair
anymore

the end
nor for ever
just for now

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Angel

hard to say what it is
this feeling stops my body functions

f r e e z e

words hanging
on the roof of my mouth
trying to come out
i wanted to say goodbye
i thought i wouldn't miss you
so much
laying in bed
i can't breathe
i try hard not to think of you
but you're already
my body and soul

t o g e t h e r

i feel your heart in my head
when you put me to sleep
i know you so well
i no longer need to see your tears
to know you're sad
nor your smile
to know you're happy
i no longer need you close
to know you're by my side
nor your absence
to miss you
i close my eyes
you're there
beautiful
as always
as never

f o r e v e r

terça-feira, 5 de junho de 2007

desgaste

esfrega minh'alma
no chão de chapisco
esguicha sangue
hemorragia interna
lançando angústia
pelos meus olhos
me curvo ante a ti

e eu
deusa pagã
da luxúria
da cobiça
dos mil defeitos
exageradamente insensata
menina humana
falha
perfeita em minhas imperfeições
demente ferida
com pús e dor

pobre coitada
sofro de amor

sábado, 2 de junho de 2007

desconhecido

as vezes me pego
admirando sua foto
sem tocá-la
surpreendentemente
invento uma trilha sonora
nossos beijos
eu na ponta do pé
sua mão na minha nuca
seu cheiro na minha blusa
conversas no meio-fio
com boas gargalhadas

será tudo imaginação?

sexta-feira, 1 de junho de 2007

01.06

me devolve minhas noites de sono
meu sorriso idiota
pára de me ver
esses seus mil olhares
me secando
não me diviniza no meu me vestir
me deixando nua
pára de me deixar nua
me devolve minha roupa
não trança seus dedos
pelo meu cabelo
não puxa minha crina
pára de me relar a mão
de me fazer carinho, cafuné
não me agarra
nem me morde
sai com essa sua barba
roçando pelo meu corpo
me deixando em êxtase
não me fala que eu to linda
que eu sou gostosa
tira essa língua
do meu corpo
não me encaixa por trás
quando eu to dormindo
não sussurra no meu ouvido
pra me acordar
não pede pra eu ficar mais

senão eu me enamoro

sábado, 26 de maio de 2007

minha

quero um amor
de apertar a bochecha
de sorrir com a gengiva
disposto a dividir
um copinho de sorvete

sexta-feira, 25 de maio de 2007

Messalina

insana
demente
insensata
tola
babaca
idota
ignorante
imbecil
débil

panaceia
me livra de mim mesma
das imprudências do meu espírito
tentações por mim geradas
procuro auxílio inacabado
exílio
numa réplica de mim mesma
que não existe
pensamentos estapafúrdios
congregando num personagem que não sou eu
Moral? Pra que isso?
Eu não quero ir pro céu
deve ser muito frio por lá

me paga um chopp
que a gente conversa sobre isso, ok?

quarta-feira, 23 de maio de 2007

sequer até logo





uma placa no chão
teu nome

sentada ali
acima de ti
te senti vivo
próximo a mim
nas minhas lágrimas

no pulsar da minha mente
dos meus olhos
dos meus poros
chorei compulsivamente
meu coração aberto
ferido
estropiaram um pedaço
o mais bonito
onde tu jazias
não pediram licença
nem por favor

Obrigada ao tempo
que me foi dado
admito que cada dia
foi mais que abençoado
cada júbilo
mais que bendito
cada carinho
uma dádiva

minha dor é um botão
ao lado do buraco negro
que deixaste
aos que tanto te conheceram
que muito te amaram
tão mais do que eu
tanto quanto meu corpo tolerou
e imagino

"Como eles conseguem?"