terça-feira, 29 de dezembro de 2009

pink life

incansável prepotência
sempre acredito que sou mais forte

teimosa
insisto no que sei que vai dar errado
só pra desafiar o destino
pra poder rir da cara dele
...
desafio pequeno esse...
já que no final... bom...
sabemos sempre quem ri por último

sabe... eu imagino que vá doer
mas a alegria me completa neste momento chuvoso
nesta terça-feira de fim de ano.

eu sei, eu sei: tenho o mapa e ando pro abismo
ao som de uma música folk
ciente de que a carne vai cortar
completamente consciente de que essa história
tem tudo pra dar errado.

mas diga a verdade...
que graça teria se a vida fosse só cor-de-rosa?

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

cinco horas

são cinco horas
você está acordando em uma cama
longe da minha

eu sinto seu cheiro
seu gosto na minha boca
sua mão na minha roupa
seu cabelo nos meus dedos
seus dedos na minha boca
sua boca nos meus dedos

mas são cinco horas
eu estou acordando em uma cama
longe a sua

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

a porta aberta

















eu quis não te levar a sério
não me levar a sério
eu quis somente ser aqueles óculos laranja
viver do momento
lamber o sentimento
eu quis o movimento
quis o batuque nas minhas curvas
os olhos fechados no seu peito
sem medo, sem receio
eu quis o muro, eu quis o meio
mas quis você

e foi aí que eu me perdi
perdi o caminho que leva a mim mesma
perdi a chance de me mostrar
por inteira
sem eira nem beira
sem besteira
sem bobeira
sem bobagem
perdi a passagem
mas não a viagem

perdi o ponto
do encontro
do longo caminho
porque eu não vi
que você queria andar sozinho
mas eu, por engano, quis andar com você

passarinho livre,
insensatez a minha te pedir pra pousar
ou me levar pro Nepal
como você mesmo disse
seria como te podar
cortar suas asas
e te impedir de voar

não seria legal.

carne branca,
manchada de tanta coisa
manchada de medo de raiva
manchada da ausência

branquinho não precisa de mais isso
não precisa da minha demência
da minha loucura
da moldura morena
que vem como furacão
levantando lençóis
jogando tudo no chão

não

não posso pedir que fique
até porque não quero ficar
não posso, não consigo
eu preciso do amor mendigo
de qualquer lugar
eu preciso te amar

mas você...
você precisa deixar

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

o conto de fadas

era uma vez uma redação
uma escuta
um computador
era uma vez uma lista de email
dois telefones
um chefe na frente

era uma vez uma matéria
um contato contado
um chope marcado
um singelo
bem belo
era uma vez um queimado

era uma vez olhos sorrindo
querendo conquistar
era uma vez um vigário
um malandro otário

era uma vez encontros, desencontros
mulheres, homens
admiração
capacidade de ver através
enxergar o interior
capacidade de ler
incansávelmente
as palavras, as atitudes
a virtude

era uma vez uma amizade brotada
sem regador
sem corredor
um pote na sala
um aniversário, um bolo
a filha
a mãe
e o abraço
era uma vez a cachaça
e o cansaço

era uma vez uma sensação
sentimentalmente diferente
mas essencialmente igual

era uma vez uma ferida aberta
uma carta sofrida à redação colega
era uma vez um texto
lágrimas
era uma vez sete anos
sete vidas

era uma vez um gato
que caía em pé toda vez que pulava
observando, fitando
fitado
era uma vez um amado
um ciúme
dois ciúmes
era uma vez duas bocas
uma louca
e um beijo molhado

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

ju e thais

minhas meninas
tão iguais
tão diferentes
tão banais
tão carentes
tão dementes
tão meninas...

minhas companheiras
de sextas... ou quartas
ou sábados e domingos
de chopes
aniversários
de muito tempo
de bem recente
de tudo junto novamente

minhas meninas de sorrir
mostrando o dente
a gengiva
lascivas
sempre nós
sempre sós
sempre, sempre...

minhas meninas
de cair de bunda
de vomitar champagne
de passar vexame
de falar abobrinha
das divertidas salas de discussão
sobre a vida
sobre filhos
sobre profissão
sobre inovação
e claro, sobre meninos...

minhas jornalistas
publicitárias
advogadas
assessoras de imprensa
diversão imensa
bailando a vodka
os cabelos esvoaçantes
a caipirinha sem adoçante
mais um, por favor?

minhas meninas
às vezes malandras
às vezes otárias
minha confidentes
minhas amigas
minha alegria

diária

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

o churrasco

brinde aos novos!

aos sambas
aos bambas
à carne
à vida
à morte
à sorte
ao ver particular
à energia familiar
à cidadania
à advocacia
à fina sintonia
à boemia
ao forrozear
ao salgado tombar
ao acrescentar
aos mosqueteiros
aos maconheiros
aos chineleiros
ao pé no chão
aos sem noção
ao cartão clonado
ao corpo colado
ao peito suado
à pele alva
à saúde salva

ao mestrado - que vai chegar
à saudade - que vai ficar
à gringa - que mudou de lar
ao amigo - que foi pro mar

aos óculos laranja
à marmanja
à criança
à dança
às sardas nas costas
às não-respostas
ao abraço apertado
o sorriso largado
ao churrasco marcado

que não pode faltar

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

começo do fim

 eita tesão desmedido
de falar calado
de beijar linguado
de deitar ao lado
de prazer contido

eita tesão bonito
de sorrir com o rosto
de sentir o gosto
de dormir composto
de prazer bendito

eita tesão feliz
de pele nua
de linda lua
de branca pua
de prazer com bis

eita tesão que explode
de noite quente
de mão eficiente
de língua dormente
ao prazer, minha ode

salve!
a leveza do sim
glória!
às borboletas no jardim
feliz... serena... amando
o começo do fim


quinta-feira, 10 de setembro de 2009

meu porto















adoraria poder...
acreditar...

mesmo sabendo que tenho capacidade
mesmo ciente da minha habilidade de
me faltam forças

busco quietude, silêncio
enquanto isso
uma banda toca ao meu lado
há obras no andar de cima
tudo é muito loud

minha cabeça dói
muito

fui molhar meus pés
mas o deque se afastou da terra-firme
e me vi flutuando num mar cinza
com pontos coloridos piscantes
um limbo de sentimentos

há momentos, no entanto, que nos levam para outros lugares
cidades belas
cidadãos felizes
passagens de ida
para uma redoma perfeita

receio que minha imperfeição não seja aceita por lá
que as placas indiquem a saída
que eu seja banida
novamente

pr'aquela casa desvigiada e escura
então eu prendo a respiração...
e rezo para que tudo apenas

se vá

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

'vamo' acampar?













olho.
remela.
costas.
desconforto.
chão.
sorriso.

zíper.
grama.
pele.
frio.
volta.
casaco.
zíper.
água.
rosto.
sorriso.

vento.
amigos.
aconchego.
cobertor.
meia.
cachaça.
abraço.
sorriso.

purificação.

repelente.
viola.
roda.
mais um.
mãos.
sorriso.
sorriso.
sorriso.
sorriso.

sorriso.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

a busca da paz

tento puxar o veneno pra fora
arrancar das minhas entranhas
o sangue espremido nos dentes
o rosto rasgado de mágoa
a dor embaixo da minha pele

viro o olhar pro outro lado
pavor de estar certa
de descobrir que a carne está viva

espero as lágrimas lavarem a ferida
distorcida e escura
desfeita, imperfeita
madura, insegura

em busca da paz salinizada

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

a dança

demorou o tempo certo

o passo marcado
os olhos fechados
o corpo agarrado
o cabelo amarrado
o rosto suado
a vontade de te ver

foi melhor que eu esperava
o beijo demorado
o abraço apertado
o sorriso abençoado
o carinho adoçado
o afago indomado
a vontade de você

sexta-feira, 31 de julho de 2009

palato

minha amargura de serralha
destoa nesse mar de cheesecake
um verde sem graça
meio pálido
quase esquálido
sordidamente sozinha nessa sexta-feira






invejo as misturas de sabores
e o vermelho escorrendo pelo branco
percurso sensual quase apaixonante
que me entorpece









desejo o doce, o brando, o terno
quase que cobiço o deleite
com minha psicótica saliva
urrando pelas cores do amor

verdade velha
groselha

tende piedade da minha língua

terça-feira, 19 de maio de 2009

Transbordou

saudade salgada
das conversas diárias
sacanagens ordinárias

abraço ausente
com resquício da manguaça
da cachaça
do carnaval e das coisas sérias
das baçunças
pro trabalho
porre dos caralho
priscilas, francines
anas luizas
loucuras de quem sofre
de desordem mental
motivos: estresse e jornal.

peito apertado
pela distância
do mate-natural-sem-limão
do colo de manhã cedo
das conversas
sobre o medo
sobre o louco
sobre o viado
sobre o safado
sobre a vida

saudade enorme
da minha chefe-amiga

domingo, 3 de maio de 2009

um fim

minhas escolhas erradas, perdidas
reflexo do meu eu, sem 'seu', sem nós
incapacidade envolvida

meu lindo, diferente, pensante
derordenado, confuso, como não te amar?

nos meus braços retiro seus pavores 
suas inseguranças e preocupações 
vasculho pelo medo de nós, emaranhado de sós
desventurado, desgraçado.

tenta sem fim 
tirar de mim
esse amor com medo de chorar
abraços impressos em minhas costas

não me deixa partir 
descrente do amor 
que ainda está por vir
do beijo que desata
do toque me reparte
da falta que sinto 
do seu jeito 
seu peito
dos seus braços
seus traços

ainda procuro um jeito
de te esquecer e te apagar de mim
procuro no começo
um fim

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Preguiça

cansei de tentar...

de fingir que é possível não te querer
não te desejar
não te morder, te beijar
cansei de lutar

cansei do 'me esquece'
do 'não me merece'

cansei de ir contra minha vontade
cansei de verdade
de tentar me afastar
do menino 'de ouro'
meu tesouro confuso
perturbadoramente difuso
e ainda tão lindo

estranho destino

cansei de tudo
cansei desse mundo
mas não quero parar
não quero descer
eu quero ficar
e pagar pra ver

cansei de ouvir
cansei de negar
cansei de chorar
de tentar achar o correto
cansei do discreto

cansei de não ligar
de criar confusões
de desilusões
cansei de fracas decepções

eu quero é cair do abismo
correr perigo
eu quero o errado
eu quero o pecado
quero o menino Bonito
quero o bendito

cansei de cansar
agora eu vou deixar
vou viver
vou deixar você 'me amar'
e vou querer

gostar de você

domingo, 4 de janeiro de 2009

desculpas

não sei o que meu deu...
eu supus que poderia mudar
mas não consegui
impulso idiota
de achar que era bom demais para parar

não sei o que eu pensei...
eu quis me entregar
mas o amor me impediu
fui egoísta
e por vezes deixei transparecer meu ciúme
e não como de costume
desejei você só meu

não sei o que rolou...
o encaixe era perfeito
mas deu defeito
era errado acordar no seu peito
e querer te beijar

ajudaria se você não fosse
bonito pra caralho
um homem que admiro
que tenho orgulho
e que amarei para sempre

não quis te fazer mal
mas acho que fiz
por tudo, tudo mesmo

lamento muito.