segunda-feira, 26 de outubro de 2009

cinco horas

são cinco horas
você está acordando em uma cama
longe da minha

eu sinto seu cheiro
seu gosto na minha boca
sua mão na minha roupa
seu cabelo nos meus dedos
seus dedos na minha boca
sua boca nos meus dedos

mas são cinco horas
eu estou acordando em uma cama
longe a sua

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

a porta aberta

















eu quis não te levar a sério
não me levar a sério
eu quis somente ser aqueles óculos laranja
viver do momento
lamber o sentimento
eu quis o movimento
quis o batuque nas minhas curvas
os olhos fechados no seu peito
sem medo, sem receio
eu quis o muro, eu quis o meio
mas quis você

e foi aí que eu me perdi
perdi o caminho que leva a mim mesma
perdi a chance de me mostrar
por inteira
sem eira nem beira
sem besteira
sem bobeira
sem bobagem
perdi a passagem
mas não a viagem

perdi o ponto
do encontro
do longo caminho
porque eu não vi
que você queria andar sozinho
mas eu, por engano, quis andar com você

passarinho livre,
insensatez a minha te pedir pra pousar
ou me levar pro Nepal
como você mesmo disse
seria como te podar
cortar suas asas
e te impedir de voar

não seria legal.

carne branca,
manchada de tanta coisa
manchada de medo de raiva
manchada da ausência

branquinho não precisa de mais isso
não precisa da minha demência
da minha loucura
da moldura morena
que vem como furacão
levantando lençóis
jogando tudo no chão

não

não posso pedir que fique
até porque não quero ficar
não posso, não consigo
eu preciso do amor mendigo
de qualquer lugar
eu preciso te amar

mas você...
você precisa deixar

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

o conto de fadas

era uma vez uma redação
uma escuta
um computador
era uma vez uma lista de email
dois telefones
um chefe na frente

era uma vez uma matéria
um contato contado
um chope marcado
um singelo
bem belo
era uma vez um queimado

era uma vez olhos sorrindo
querendo conquistar
era uma vez um vigário
um malandro otário

era uma vez encontros, desencontros
mulheres, homens
admiração
capacidade de ver através
enxergar o interior
capacidade de ler
incansávelmente
as palavras, as atitudes
a virtude

era uma vez uma amizade brotada
sem regador
sem corredor
um pote na sala
um aniversário, um bolo
a filha
a mãe
e o abraço
era uma vez a cachaça
e o cansaço

era uma vez uma sensação
sentimentalmente diferente
mas essencialmente igual

era uma vez uma ferida aberta
uma carta sofrida à redação colega
era uma vez um texto
lágrimas
era uma vez sete anos
sete vidas

era uma vez um gato
que caía em pé toda vez que pulava
observando, fitando
fitado
era uma vez um amado
um ciúme
dois ciúmes
era uma vez duas bocas
uma louca
e um beijo molhado

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

ju e thais

minhas meninas
tão iguais
tão diferentes
tão banais
tão carentes
tão dementes
tão meninas...

minhas companheiras
de sextas... ou quartas
ou sábados e domingos
de chopes
aniversários
de muito tempo
de bem recente
de tudo junto novamente

minhas meninas de sorrir
mostrando o dente
a gengiva
lascivas
sempre nós
sempre sós
sempre, sempre...

minhas meninas
de cair de bunda
de vomitar champagne
de passar vexame
de falar abobrinha
das divertidas salas de discussão
sobre a vida
sobre filhos
sobre profissão
sobre inovação
e claro, sobre meninos...

minhas jornalistas
publicitárias
advogadas
assessoras de imprensa
diversão imensa
bailando a vodka
os cabelos esvoaçantes
a caipirinha sem adoçante
mais um, por favor?

minhas meninas
às vezes malandras
às vezes otárias
minha confidentes
minhas amigas
minha alegria

diária