segunda-feira, 5 de outubro de 2009

o conto de fadas

era uma vez uma redação
uma escuta
um computador
era uma vez uma lista de email
dois telefones
um chefe na frente

era uma vez uma matéria
um contato contado
um chope marcado
um singelo
bem belo
era uma vez um queimado

era uma vez olhos sorrindo
querendo conquistar
era uma vez um vigário
um malandro otário

era uma vez encontros, desencontros
mulheres, homens
admiração
capacidade de ver através
enxergar o interior
capacidade de ler
incansávelmente
as palavras, as atitudes
a virtude

era uma vez uma amizade brotada
sem regador
sem corredor
um pote na sala
um aniversário, um bolo
a filha
a mãe
e o abraço
era uma vez a cachaça
e o cansaço

era uma vez uma sensação
sentimentalmente diferente
mas essencialmente igual

era uma vez uma ferida aberta
uma carta sofrida à redação colega
era uma vez um texto
lágrimas
era uma vez sete anos
sete vidas

era uma vez um gato
que caía em pé toda vez que pulava
observando, fitando
fitado
era uma vez um amado
um ciúme
dois ciúmes
era uma vez duas bocas
uma louca
e um beijo molhado

2 comentários:

Bruno Quintella disse...

O canto de fados

Era uma vez uma festa
Uma fresta do cotidiano
Outras vezes eram quantas
Houve tantas por engano

Era uma vez o desencontro
O desencanto da coincidência
um quebranto quebradiço
um tranco de paciência

Era uma vez uma vez
e tantas outras que virão
Sem roupas de sopetão
De duas bocas com tesão

Moura disse...

ouch.

deu tilti.