quinta-feira, 22 de outubro de 2009

a porta aberta

















eu quis não te levar a sério
não me levar a sério
eu quis somente ser aqueles óculos laranja
viver do momento
lamber o sentimento
eu quis o movimento
quis o batuque nas minhas curvas
os olhos fechados no seu peito
sem medo, sem receio
eu quis o muro, eu quis o meio
mas quis você

e foi aí que eu me perdi
perdi o caminho que leva a mim mesma
perdi a chance de me mostrar
por inteira
sem eira nem beira
sem besteira
sem bobeira
sem bobagem
perdi a passagem
mas não a viagem

perdi o ponto
do encontro
do longo caminho
porque eu não vi
que você queria andar sozinho
mas eu, por engano, quis andar com você

passarinho livre,
insensatez a minha te pedir pra pousar
ou me levar pro Nepal
como você mesmo disse
seria como te podar
cortar suas asas
e te impedir de voar

não seria legal.

carne branca,
manchada de tanta coisa
manchada de medo de raiva
manchada da ausência

branquinho não precisa de mais isso
não precisa da minha demência
da minha loucura
da moldura morena
que vem como furacão
levantando lençóis
jogando tudo no chão

não

não posso pedir que fique
até porque não quero ficar
não posso, não consigo
eu preciso do amor mendigo
de qualquer lugar
eu preciso te amar

mas você...
você precisa deixar

2 comentários:

Ju disse...

Me deu vontade de chorar
lindo, lindo lindo
Suave mas pungente ao mesmo tempo
Pq a gente sente tanto as coisas? De qq maneira, é como diria Cazuza "pra quem nao sabe amar/fica esperando alguém que cabe no seu sonho" E a gente, definitivamente, tem muito talento pra isso... AINDA BEM. Dói, desanima às vezes, mas faz tudo pulsar =)

Moura disse...

é. se eu não chorei antes, o fiz agora.