quarta-feira, 19 de maio de 2010

lição do dia

Boa noite, você.

Às vezes eu acho que Deus me olha e me guarda. Me observa, nos meus erros, e diz lá do alto:

-Nãããão!!
(com voz de desenho, bem grossa e rouca. Sim, porque com certeza a voz de Deus é azul, em negrito e bem grande. Óbvio)

Desde fevereiro ando pelas ruas esperando encontrá-lo. Nem sei porque na verdade. Acho que é porque é muito perto. Às vezes vou à Igreja na hora do almoço, às vezes ando perto do seu prédio, sem de fato querer estar ali. Fato que todas as vezes que eu vou ao árabe fico com medo de encontrar os cachos negros de seu cabelo, por isso fico bem atenta. Não sei qual seria minha reação.

Mas verdade seja dita. Deus me guarda. Porque Ele sabe que vê-lo me desestabilizaria. E talvez a parte de mim que queira vê-lo é a fraca, a que Ele não aprova. Nas mais randômicas horas, fins de semana... não. Nunca o encontrei. Não depois de fecharmos nossa conta.

Estou acabando o livro "Comer, rezar e amar" e acho que por isso começo a achar normal que eu tenha diálogos na minha mente. Só meus. E no meu mundo eu falo pra ele da minha dor, do quanto ainda sofro. Não por ele, mas por nós. Pelo nó que ficou. Pela garganta que insiste em se fechar a cada lembrança.

Lembro daquela casa excessivamente brança, da rua. Lembro da sua mão de apoio. Lembro de mim, cada detalhe. Lembro da dor. Acho que sim. Piegas e carola, mas Deus me ama. Porque sua ausência faz que tudo isso vá se esvaindo, a cada dia, a cada passo.

Boa noite, você.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

o que eu levo comigo





















como sentir saudade?
eu pude te sentir por tão pouco...
nos meus sonhos você ficava na minha vida... pra sempre
nos meus braços.

no meu sonho eu te cuidava.
eu te queria.
nos meus sonhos eu te queria muito.
mas eu acordei.

de repente a letra de roger waters faz mais sentido
e num elouquecedor repeat 
sinto-me uma lost soul, swimming in a fish bowl
e desejo sua alma perto de mim

de certa forma não quero que a dor passe
ela é o sentimento mais palpável da saudade
é o que eu levo comigo

a cada dia
ponho um pouco de areia em cima
olho pros lados e sorrio
chego a pensar que estou mesmo feliz
mas quando eu olho pra dentro...
o buraco ainda está lá
preto e pulsante

a pergunta é...
remo contra corrente ou me deixo entrar?
aceito a alegria e a tristeza
a saúde e a doença?
ou deixo que a morte nos separe?